Tiferet é o Esposo da Esposa, o Manas Superior da Teosofia Oriental, o qual não é outro senão a Alma Humana, o Corpo Causal. É essa Alma que sofre e que nos dá essa parte muito humana.
Devemos distinguir no que é a Alma Humana e Tiferet em si. É muito fácil confundir Tiferet com o Corpo Causal. Este vem a ser o veículo de Tiferet.
Alguns Cabalistas afirmam que o Mundo de Tiferet, o Mundo da Alma Humana, o Filho do Homem propriamente dito, está governado pelo Sol. Realmente isso não é assim, pois está governado por Vênus, e é por este motivo que o Cristo é crucificado numa Sexta-Feira Santa: isso é uma coisa na qual devemos meditar.
O Matrimônio de Genebra, a Divina Amazona, a Alma Divina, com o Cavaleiro, a Alma Humana, é um acontecimento maravilhoso, no qual experimentamos uma transformação radical, porque o Budhi é como uma taça de alabastro fina e transparente, dentro da qual arde a chama de Prajna (o Ser).
Os textos esotéricos do Hindustão mencionam constantemente a famosa Trimurti (Atman-Budhi-Manas). Isto é, o Íntimo com as suas duas Almas: a Alma Espiritual Feminina e a Alma Humana Masculina.
A fonte e a base da Alta Magia encontram-se nos esponsórios perfeitos de Budhi-Manas, seja nas regiões puramente espirituais, seja no mundo terrestre.
Os Colégios Iniciáticos autênticos ensinam claramente que a Bela Helena é o Budhi, a Alma Espiritual da 6ª Iniciação Venusta, o Shakti potencial feminino do Ser Interno. A Bela Helena de Troia é a própria Helena do Fausto de Goethe. Helena significa claramente os esponsais de Nous (Atman-Budhi com Manas, a Alma Humana). União mediante a qual se identificam Consciência e Vontade, ficando por tal motivo ambas as Almas dotadas de Divinos Poderes.
A essência de Atman, do Primordial Eterno e Universal Fogo Divino, encontra-se contido dentro de Budhi, que em plena conjunção com o Manas, determina o Masculino-Feminino.


Ele e Ela, Budhi e Manas, são as Almas Gêmeas dentro de nós próprios (ainda que o animal intelectual todavia não os tenha encarnados); as duas adoradas filhas de Atman. O Esposo e a Esposa eternamente apaixonados.
A Eterna Dama, a Alma Espírito, sempre exige do seu Cavaleiro, a Alma Humana, todo gênero de inauditos sacrifícios e prodígios de valor. Ditoso o Cavaleiro que depois da dura batalha celebre os seus esponsais com Genebra, a Rainha dos Jinas.
O animal intelectual erroneamente chamado Homem tem encarnada dentro de si próprio uma fração da Alma Humana. A essa fração de denomina Essência e no Zen nipônico é chamada simplesmente o Budata.
Esta é o material psíquico com o qual é possível e se deve fabricar o Embrião Áureo (veja o livro O Mistério do Áureo Florescer).
Lamentavelmente, a Essência subjacente está em sonho, no interior desse matizado e grotesco conjunto de entidades submergidas e tenebrosas que constituem o Ego, o Mim Próprio, o Si Próprio.
Contudo, tal Essência é a Matéria-Prima para se fabricar Alma; conceito este que infelizmente não foi ainda muito bem entendido pelos nossos estudantes Gnósticos.
O Tao chinês ensina claramente que a Essência engarrafada entre todo esse conjunto de Eus diabos que constituem o Ego tem de passar na Nona Esfera por contínuas transformações alquímicas antes de se converter na Pérola Seminal.
A Pérola Seminal, desenvolvendo-se mediante a Magia-Sexual e o formidável trabalho com a Lança de Longinus (reduzir a poeira cósmica o Ego Animal) há de converter-se no Embrião Áureo.
O maravilhoso reflexo da energia sexual na forma de um luminoso torvelinho, semelhante a um raio de luz quando repercute contra um muro, vem a cristalizar no nosso interior na Flor Áurea, a qual como se sabe estabelece dentro do Neófito um Centro Permanente de Consciência.
O Embrião Áureo, revestido com o Traje de Bodas da Alma, experimenta realmente um supremo gozo no momento em que se funde com a Alma Humana. A partir desse momento, diz-se que nós somos já Homens com Alma, Indivíduos Sagrados, pessoas verdadeiramente responsáveis no sentido mais completo da palavra.
No Embrião Áureo encontram-se sintetizadas todas as experiências da vida e por isso é ostensivo que origine transformações de fundo nos Princípios Pneumáticos Imortais do homem. É deste modo como nos convertemos em Adeptos da Irmandade Branca.
O Mundo de Tiferet é o Mundo da Vontade. Nesse Mundo somente se faz a Vontade do Pai, tanto nos céus quanto na terra. É um Mundo que está para além da mente; com uma cor elétrica intensamente azul. Existem muitas outras cores, porém a fundamental é o azul. Nesse Mundo das Causas Naturais cada um de nós encontra muitos bodhisatvas que trabalham debaixo da direção do seu Real Ser.


A Música, o Som, prima nesse mundo. Todo aquele que chega à 5ª Iniciação do Fogo se converte em Adepto e permitem-lhe a entrada no Mundo da Música. Aí encontra-se o Templo da Música das Esferas.
Um dos guardiães desse Templo é um grande Mestre que quando viveu no mundo físico se chamou Beethoven. É um grande Iniciado; as suas Nove Sinfonias são extraordinárias.
Todo aquele que alcança essa região tem de aprender as noções fundamentais da Música porque é o Verbo. Nessa sublime região ouve-se a Música das Esferas, a qual se baseia nos três compassos do Mahavan e do Chotavan, que mantêm o Universo no ritmo e na sua marcha perfeita; nessa Música não pode haver qualquer tipo de erro.
Na região de Tiferet encontra-se o Pano de Verônica, o qual significa Vontade Cristo. É preciso fazer a Vontade do Pai. É impossível obter a Vontade Consciente sem trabalhar na Nona Esfera. Há muitos lugares onde faquires se submetem a tremendas torturas para adquirirem a Vontade Consciente, porém somente armazenam alguma energia.
O verdadeiro faquir tem o seu Guru e não sai do Hindustão. Os faquires adquirem muitos poderes, mas nada mais do que isso. Há alguns que levantam um braço e já não o tornam a baixar, aí o imobilizam. Com tais atos perseguem a Vontade, porém essa daí não avança; não conseguem fabricar o Corpo da Vontade Consciente. Todos esses pseudomilagres desviam as pessoas e por isso tais faquires estão desencaminhados. Uma vez fabricado o Corpo da Vontade Consciente nos convertemos num Duas Vezes-Nascido.
Samael Aun Weor – Tarô e Cabala

